VERDADE. TINHA CERTEZA AGORA. A menina o seguia. Sainha xadrex, blusinha branca, meia três quartos, gravatinha. teria onze doze anos? Andou três quadras lentamente ouvindo aqueles pequenos passos atrás dele. Sapatos de verniz. Salto mínimo. Ele parou na vitrina de uma charutaria. Chachimbos ingleses suecos suíços. Se ela parasse naquela vitrina tudo ficaria evidente: a menina o seguia. Ela parou. Gosta de cachimbos? ele perguntou. Gosta de ser chupado? ela respondeu perguntando. Ficou vermelho. Por mulheres sim, respondeu. E eu o que sou? Uma criança. Alguém parou do lado e silenciaram. Ela tomou-lhe a mão: então. papai, gosta deste? O alguém do lado se foi. Ela continuou: Olha pra mim, fica bem pertinho, vou chupar meu dedo do jeito que vou chupar teu pau. Ele olhou dos lados. Não seja bobo, não tem ninguém olhando, e começou a enfiar o dedo polegar na boca, revirava-o e lambia-o da raiz à ponta.
mas meu pau não é o teu dedo polegar. É maior.
mas eu tenho arcada larga.
o quê???!!
meu dentista diz que eu tenho uma linda arcada larga.
Toma-me a mão novamente, diz vamos andando vá, e aponta para uma pracinha onde há bancos e carrinhos de sorvete e de pipoca. Sentamos.
por que faz isso?
porque quero dinheiro.
ahh.
gosto de roupas e o dinheiro compra roupas.
mas posso te comprar roupas sem que você me chupe.
não, gosto de fazer meu dever.
quer dizer que você não aceitaria que eu te desse roupas sem você me chupar...
é, isso nunca gosto de trabalhar.
Fiquei olhando seu rostinho moreno, os olhos grandes, o nariz aflilado, o lábio superior um pouco estreito, o lábio inferior polpudo, escarlate. Quer um sorvete? Não. Olha, menina, eu não tenho nenhum lugar pra te levar. Mas eu chupo aqui mesmo. Aqui?!?! Claro. Você tira seu paletó, eu deito a cabeça no seu colo, você me cobre com seu paletó como se eu estivesse dormindo, você compra um jornal ali, e enquanto você finge que lê eu tiro bem devagarinho o teu pau pra fora e vou chupando também bem devagarinho. Só que você me paga antes. Aquilo era demais. Disse tudo bem. Fui até ali, comprei o jornal, tirei o paletó, dei-lhe o dinheiro e ela fez tudo e mais do que prometeu. Dois anos passados, nunca mais gozei com mulher alguma. E percorro o mesmo caminho e aliso adoidado aquele banco e compro o jornal ali mas nunca mais a encontrei. Um amigo me disse: sonho, stress, porre, pó, fio isso cara. Eu disse não. E meu pau sabe disso.
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