Bonita a menina com o laço rosa no cabelo grisalho. Estava vestindo um lindo longo bege com estampas cor-de-rosa-murcha e uma sapatilha da Kitty. Ia ao can. A fita comunicava bem o que ia fazer, se é que ia fazer algo. Se é que ela queria fazer algo a não ser se mostrar. A menina desceu a escada e olhou a Av. Nazaré. Linda, colorida, cheia de pessoas novas. Estava perfeito. Ela precisava de um sapato novo, e por isso travestiu-se de moça-menina-devota, com a fita escrita e fluorescente.
Se jogou por entre as crianças e os seus pais pauzudos: era assim que os descrevia. E observava. Cada detalhe, com olhos de desejos acorrentados, ela memorizava. Estava gostando da nova brincadeira. Sentou em um banco, até então vazio, e sacou um isqueiro acompanhado de um Lucky Strike. O banco ficava próximo à concha acústica. Ela olhou para o prédio e lembrou de quê sua mãe dizia em relação ao prédio. Dizia ela que antes ali existia um coreto, mas que mandaram derrubar para construir a tal concha. Fumaçando e rindo das espécies que ali se encontravam. Protótipos de homossexualismo esbanjando toda a democracia deles tomada. “Democracia? Então tá. Democracia o caralho!_ Ouviram dela os garotos e garotas. Assustados, eles saíram de perto. Ela deu risada ao vento fumaçado.
Era algo em torno de vinte e três horas quando ela levantou do banco para apreciar a avenida. Saiu pela entrada que fica em frente às Lojas Americanas. Olhou o vermelho do prédio e sua vista desceu à calçada próxima a ele. Havia um mendigo-menino jogado no chão, ao lado de um lixeiro. Num subido de desespero, ela chorou. Estendeu o rosto para a esquerda, e para o mesmo lado, andou. Achava ela que a rua era seu palco, e assim desfilava para os poucos pauzudos que haviam ali. Um deles se aproximou.
“Quantu qui é? “Quanto meu xiri vale? “Num tenhu dinhêro pa issu tudo não dona, mas posso te garantí que foda boa tu vai tê. “Então eu quero o que tu tens e a tua foda. Vamos. “Bora!
E o xiri dela valia. Mas o senhor-moço nunca que iria imaginar em que mundo estava enfiando seu pênis. E ele enfiou, ah se enfiou. Antes disso, ela o levou para seu apartamento. Ficava na Nazaré mesmo, em frente à sede do Remo. Eles subiram. Mas antes de despirem-se, rezaram, pois era o segundo sábado de outubro. O moço achou estranho o número enorme de imagens que ela possuía, mas sua calça estava quase sendo perfurada pela força da ereção de seu pênis, e logo esqueceu. Ele o botou pra fora. Ela atirou a calcinha bem longe. E ele começou a enfiá-lo gemendo atonitamente. Não estavam na cama, estavam no sofá. Ele acelerava nas entradas e demorava um pouco mais nas saídas. Logo depois começou num ritmo contínuo e acelerado. Ele estava prestes a gozar, mas parou e chupou os seios dela. Depois de meio minuto começou a penetrá-la mais uma vez. Agora pra ir até o fim. Gozou. Gemeu, descansou um minuto. Tomou um copo d’água. Pagou. “Gostô da foda dona? “Vai embora! “Tá, tá bom, quem sabe otro dia num te faço mais uma dessas visita. “Vai embora, PORRA!!!_ Ele foi.
Ela não era mais a mesma. Estava com cara de derrotada. Estava como se ali tivesse passado algo que levasse toda a sua elegância e sensualidade e sexualidade junto. Baixou a cabeça. A fita caiu em suas mãos. Ela lê: “Faça três pedidos_ Em segundos, ela levanta e a fita cai no chão. Se encaminha para o quarto. Deita na cama. Chora desesperadamente. Ela já não sabia de nada. Não sabia onde estava perdida, nem coragens e motivos tinha para se procurar. Não sabia onde tinha se esquecido, nem sabia o caminho de volta. Talvez tenha acreditado nas sua próprias mentiras. Ou talvez nada daquilo ali poderia ser verdade. Ela só queria um saída. Ela saiu.

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