terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Esqueci do egoísmo.


Neste momento a paz é uma sombra no porão, dizem que ali está, mas não a vejo, muito menos a sinto. Estou a caminhar pela Avenida Nazaré a uma da madrugada, amedrontado, sozinho, ligeiro sem chegar, apreensivo e só. Aqueles que mais considero são os que mais me confundem, esqueci do egoísmo. Minha partida se encontra em andamento. Sinto o improvável, não é nada divino, nem diabólico, é misticismo humano. São batidas que me confortam. Nelas encontro o que em calor humano procurei, e procuro. Desisti de achar alguem que me compreendesse, então traz a Vodka, sobe nas minhas costas e torce meu pescoço, mata-me sem dó, nem pergunte meu nome, não queira saber se eu o amo, mata-me. Meta-me o que encontrar em sua mão. Sufoque-me de maneira imperceptível, engane-me, minta pra mim, faça-me chorar e mate-me.
            Não queira saber sobre os Shakespeares que li, ou que disse que li. Nem queira saber se estou bem, deixe-me confuso, sem saber o que tu pensas, diga-me que morreste, faça um caixão, tire uma foto e a mande para o meu e-mail. Pronto, enfim conseguiste. Estar como alienado no meio de marxistas não é bem prazeroso, então tenha pena do seu brinquedinho. Conserve-o. Faça-me sofrer como se eu tivesse feito o mesmo contigo, vingue-se da pior forma. Tudo isso seguro de toda a minha vontade, tudo por uma causa nobre, a de me deixar olhando pro chão.
            Sinto as drogas, e as formas com que posso tê-la não te preocupa? Achei meu lugar: a calçada. É nela que queres me ver? Esquecer do egoísmo faz de mim seu. Esquecer do egoísmo por uma disputa maior. Ser suicida sem coragem alguma. Por favor, não me faça desistir mais uma vez...

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