terça-feira, 9 de novembro de 2010

Às Claras

            Não sei o que um psicólogo diz da adolescência conturbada. Digo: Ela existe. Não entendo quem um dia nunca passou por isso. Os porquês não se afloram aos sete anos, são aos desessete. Apenas aos sete, não sabemos tentar entender, perguntamos. Já um 7teen não entende com não consegue entender. É angustiante duvidar da organização social, pensar que se nascêssemos em outro país, em outra família, outra religião seria totalmente diferente. Se seria pior ou melhor, não sabemos. Não consigo entender por que a confiança é parceira do amor, não consigo entender como não sei fazer o certo. Esconder minha estranhesa faz-me ouvir meus sonhos. Não é a primeria vez que digo aqui: Sonhos são o que me movem. Dá licença se não quero viver no mundo real! Decidi criar a minha organização. E me entender. Se existe um enigma que me atrai, sou eu. Por que não consigo controlar meus atos, por que não me importo com o que falam do meu cabelo, da minha roupa. Por que não sigo a educação que me ensinaram. Por que só conseguiria escrever este texto ouvindo XX.
            Acho que parcialmente decobri as respostas: SUBJETIVIDADE. Nada de objetivo existe que sirva pra algo. A ciência não é objetiva. Sempre me pergunto: Pra que tentar explicar o mundo? Sinta-o. Em minha sexta séria do ensino fundamental, minha professora de Português, Prof. Leopoldina, perguntava, curiosa pela resposta (com a ponta do dedo indicador da mão direita entre os lábios), se seria melhor se o mundo ainda vivesse no primitivismo ou se a situação atual é mais convidativa, certamente a tecnologia não existiria, respondi que preferiria o primitivismo, ela discordou. Engraçado que ainda hoje tenho essa mesma posição a respeito do assunto. Meu mundo perfeito seria um Brasil cheio de tribos. Provavelmente seria um cacicado, penso que faria de tudo para ser um guerreiro. Lá eles não se preocupavam com o modo como se organizavam, e nem tenderiam para isso, apenas viviam, puramente. Infelizmente não se pode viver assim mais, nem os que tentam viver têm sua costumeira paz.
            Nem os que tentam viver têm sua costumeira paz. Nem os que vivem em sociedade capitalista são deixados em paz por não seguir à risca as ordens monetárias. Tem uma coisa que chama muito a minha atenção e tenho muita curiosidade: A vida social dos mendigos. Cada um é diferente dos outros, cada apelo pelo "troco" é diferente. Hoje ouvi um que chamou-me muita atenção, um senhor dizia aos que passavam " Dê uma esmola pro Hippie". Aquilo me fez rir, sinceramente. Não consigo entender o pensamento dele. Deixa-me triste ver como são maltratados, penso em quantos morrem por dia, e as minhas lágrimas que raramente saem tristonhas tentam o chão. As chuvas noturnas de Belém são as mais frias que conheço, o vento não tem pena. Quanto vento vejo. Raramente não vejo outro se não eles. Eles... Eles... Eles... Não acreditem em futuros predestinados. Acreditem no impreciso, e saibam amá-lo. É disso que vive um 7teen em conflitos existênciais. Gilete? Ainda não.

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